Parte I
E falando em caio, fui atendida por uma mocinha ontem na Bienal do Livro que gostava tanto dele que atribuiu uns apelidos carinhosos aos títulos do autor:
- Você tem algo do caio fernando aí?
- Hummm...sim, três títulos. Orelhas Negras e...
- Orelhas? Ovelhas, certo?
- Foi isso que eu disse, Ovelhas.
- Você disse...Ovelhas?
- Sim, eu disse Ovelhas.
- Ok, desculpa. Eu entendi Orelhas Negras, desculpa.
- Tenho também Fragmentos e o último é O Avô Apunhalado...
- Avô? Não, Ovo Apunha...mmm...bom, deixa pra lá.
No fim das contas matou o avô sem dó nem piedade. Depois de esconder as orelhas, achei melhor manter também a boca bem fechada.
Parte II
Mudando de pau pra cavaco ― nem tanto, já que dizia de caio, suas orelhas negras e sigo falando de livros ― adianto que não tenho a menor intenção de dar um tom sombrio ou vitimado a isso que direi agora. O que me passa, quero falar, quero contar o que me intriga, o que me passa é que a cada livro que leio ou filme que assisto me torno ainda mais distante ― estranha, deslocada. Cada álbum que ouço ou cada história de esquina e ponto de ônibus me fazem dar um passo mais largo em direção a um mundo que ainda não sei compartilhar. Fiquei oca, como uma árvore podre.
(Peço que desliguem a melodia melancólica que acompanha essas minhas palavras. Não sou pessoa triste, só oca, não venho escandalizar possível visitante do blog).
Oca. Oca, como quando colocamos as unhas na casca marrom e grossa de uma velha árvore, marcada não se sabe se pelo tempo ou outro, ainda úmida, algum vigor aparente e nos surpreende com um grande vazio do lado de dentro, como se estivesse apodrecendo aos poucos sem se deixar notar, respirando por obrigação, persistindo ao tempo porque seu papel de árvore oca é manter-se ali pelo tempo que puder. Estou oca, esvaziada de algum teor para dividir, compartilhando nada todo o tempo. Oca. Passo de raspão, tangenciando qualquer grupo, mas não importa como seja, não passa de uma relação oca.
Digo, com o direito de dizer pois não fará mal a pessoa alguma ler isso: perdi tão cedo o jeito de agradar! E agora ando oca, de um mundo oco onde ficam os livros que li, poucas pessoas, filmes, imagens remotas, algo de paixão e histórias de esquina que me enfiam ainda mais no oco desse mundo que aqui no blog eu deixo.
terça-feira, junho 26, 2007
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7 comentários:
Ei Florzinha..
Pois é voltei..
Mas sei lá... agora não to legal para deixar nada legal.. rs!
Um milhão de beijos.... e queria que saiba que te adoro...
e suas palavras são sempre bem-vindas.
Sayse ^=^
Pow....
soh pq a mina tava com um problema em casa !?
seu avô estava com um grande problema nas orelhas... e chegou ao ponte das mesmas ficarem negras... dai ela decidiu apunhalar o velho.....
"NUSA SENHORA!"
hehehehehehe
Bom estou atolado aqui, e quando liberar um pouco comento sobre a parte II- a missão!
by José Otávio
pois é como vc pediu, eu até li e agora comento.
Como vc queria deixar de ficar estrnha e afastada? Olha as coisas que vc lê moça. Vai ler Agatha Cristie ou coisa do genero. Ou até Machados de Assis ou Guimarães Rosa, Cervantes ou Poe, mas larga destes autores estranhos que nem o povo da loja sabe direito do que se trata.
Só me falta ser poesia...
ahahaha...adorei...
mas confesso que devo ler o 'arte de furtar' que voce me deu no aniversario e até hoje não li.
bjo
Olha que engraçado!
Ficaram me cobrando comentário... agora tem dois no mesmo post!!
Estou cobrando atualizações!!!rs!
Ahh... faz uma forcinha pra ir na festa com a gente.. ia ser muito legal...
BEJU!!
Caramba!
Adorei o post sobre a "oquidão" progressiva, relacionada aos álbuns e livros que lê.
Me identifiquei muito.
Em meio a tantas informações, a massa em geral tem conceitos tão superficiais que quanto mais nos informamos, quanto mais nos aprofundamos em conhecimento, mais nos afastamos, mais mergulhamos em um mundo só nosso.
puxa, rafa, que milagre aparecer por aqui.
venha sempre, te servirei um cafezinho.
beijos!
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