É um grande alívio escrever agora isenta do possível mal-estar que o dia de ontem costuma provocar nos despreparados. Mesmo a parcela mais esclarecida da população, capaz de perceber a estratégia mercadólogica para tomar as suadas moedas dos fundos dos bolsos, também pode ser vítima do incômodo do dia. De forma presunçosa, penso que estou nesse grupo e, assim como outros esclarecidos, também estive passível de ter a minha paz molestada pelas manifestações do dia: casais saindo pelos ladrões, perguntas inconvenientes sobre o presente do namorado (quando não marido!), frases de efeito espalhadas em outdoors, revistas, sites de notícia, panfletos nas ruas. Submetida ao clima de desconforto, à espreita de qualquer abordagem indiscreta, devo reconhecer que tive um dia tranquilo e proveitoso, decididamente melhor do que nos últimos anos em que estive como participante na caça aos mimos.
No papel exclusivo de observadora pude perceber que a mobilização em torno do amor, ao contrário do que se pensa, é bem menos assustadora para os solteiros, em compensação pode tornar-se uma importuna pedra nos sapatos dos namorados em crise ou dos meio-namorados (aquela gente que está mas não está, é mas não existe). Vi dos dois tipos ontem e a apreensão era nítida em ambos os casos. No primeiro, os personagens de um namoro de três anos e meio conseguia suar frio, chorar e rir ao mesmo tempo, oscilando entre o término, a comemoração do dia e o crime passional. Não muito diferente, a situação dos atores de um meio-namoro era pacífica, porém não menos densa, neste caso carregada de ansiedade quanto a um singelo contato, ponderando toda atitude para não soar sugestiva o suficiente para intimidar o outro, ou ainda pior, gélida e abnegada.
Pus em risco o humor e arrisquei uma ida ao shopping. Logo na primeira loja, uma moça escrevia versinhos sentada no chão atrás do caixa. Lia baixinho para a amiga que computava as minhas compras, como se o destino da composição fosse a bolsa de algum dos colegas de trabalho que se encarregavam das compras de outros clientes. Pensei que não queria estar na pele do sujeito que iria receber o bilhete, possivelmente porque o conteúdo me parecia bastante piegas. Pensei que seria incrível colocar a mão no bolso e encontrar o tal bilhete mal escrito. Pensei que tudo seria imaginação minha e, quem sabe, os versos não seriam surpresa, mas só uma burocracia da data. Pensei, por fim, que voltar pra casa e deixá-los livres do meu olhar curioso seria o melhor a fazer naquela noite.
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quarta-feira, junho 13, 2007
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12 comentários:
É... um comentário!! rs!
Realmente esse tal dia dos namorados pode ir do dia mais esperado, ao mais ansioso, ao mais confuso, ao mais depressivo. Dependendo apenas do seu estado...
Esse que me encontrei nesse romântico dia comercial dos namorados em 2007 não foi dos melhores... mas também foi bom para relembrar alguns bons momentos desse famoso dia.
Como nossa vida é êfemera...
Beijos, Sofis!
Sayse
Bem, tenho um comentário a fazer ... e uma confissão!
também me arrisquei ir ao shopping nesse dia tão, tão ... tão "comercial", vamos assim dizer ... (cai melhor)...
mas, pra ter certeza de que não seria uma chatiçe ou uma agonia, levei a Juju junto!! (esperta, não?)
Chegando lá pudemos observar que o shopping estava relativamente cheio ... logo pensamos: "gente, que decadência ... onde esse pessoal está com a cabeça? será que a melhor "programação" para essa data seria andar e andar no shopping e depois comer algo na praça de alimentação ao som de um "ótimo" cantor com músicas ao vivo .. sim, incluindo as mais batidas, coitado do nosso amigo Djavan ...
- não sei, minha programação para essa data, se tivesse namorado, com certeza não seria esta.
** esse foi meu comentário.
A confissão é: acho que me encaixei no segundo exemplo dado por você! e posso dizer que é angustiante, esse "vácuo de comunicação" ... a espera é longaa
Ao final do dia, posso dizer que sobrevive e foi um dia até normal, mesmo aos trancos e barrancos!
só me arrependo de uma coisa: não ter comprado aquele sapato azul estilo boneca que vimos na Rener!
UAHuHAuHuHaHUA
bjus, Sofis
Sofia, gostei do texto-dissertação, acredito, porém que você devia reanalizar os poemas feitos pela “caixa de supermercado”, e se a mesma estivesse apenas balbuciando palavras enquanto pintava 3 ou 4 unhas do pé de sua colega que lhe atendia !?
Acredito q nesse dias dos namorados seu Marido irá ficar feliz, pois aposto q chegou mais cedo do Shopping..... (comentário do GUIGA)..rs
Bom mas para mim esse tal dia dos namorados não passa de mais uma forma de o sistema capitalista-comercial-selvagem conseguir modos de aumentar a sede de consumistas incontroláveis dentro de cada um de nós........
Bem queria mesmo é dizer q o tal dia dos namorados dentro de seu contexto deveria existir todos os dias, mesmo para aqueles que não tem o vulgo “namorado” representado pela figura de “amante”, mas sim representado pelo amor existente entre qualquer ser que lhe tenha afeto, carinho e amor.......... Quem sabe se tornar feriado... hehehe
By José Otávio (Estaguinário)
ei, patrícia. seu chefe ligou pra mim pedindo pra deletar os spams que vc colocou aqui no blog.
disse que tem trabalho aí...hihihi
me liga até sábado! bj
Concordo em Genero Número e Grau deste post...
Muito legal...
B-jão
Será que posso lhe add nos MSN?
olhei seu perfil e vi lá....
Tbm sobrevivi ao dia dos namorados, tenho quase certeza que alguém costurou meu nome na boca de um sapo, pois meus namoros sempre terminam dias antes do dia dos namorados ou do meu aniversário, ai esse dia 12 passei juntando meus pedaços, adoro "te ler", hj resolvi deixar um comentário,desculpa pelo desabafo.
Beijão moça.
Dexter, a reposta é sim, pode sim.
E Jamile, já ouvi dizer que boca do sapo é coisa da época das nossas avós. Parece que moderno mesmo é colocar nomes no freezer...hihihih (forno é efeito contrário, facilidade que o sapo não oferecia). E muito obrigada por "me ler". Muitas vezes trato esse blog como uma "válvula de escape" e acabo escrevendo como penso: sem nexo. Beijo.
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