segunda-feira, outubro 14, 2013

Razão

Notei de longe
Um sorriso que nunca foi pra mim
E hoje o é
E assim é e sem razão
Razão nenhuma me diria
Que há razão pro desencontro
Quiçá pelo beijo que nunca foi teu
E hoje o é
E assim é e com razão
Quiça pelo toque que nunca alcançou
O contorno do seu nariz
Ainda é feito
Das mesmas linhas que moldavam seu perfil
E agora encontra com
Desenhos que o decoram todo corpo
Mas o menino que habitava aí
Agora habita
As mesmas terras de minha morada
Terra de sonho, de vida, de nada
E razão nem mesmo explicaria
Que dois seres tão distantes
Tão iguais, tão diferentes
Uma hora acabassem
Ocupando um só lugar, um só repente
Quiçá nos vastos campos do pensamento
Quiçá em qualquer parte
Se razão pudesse e permitisse
Reencontrar