domingo, agosto 25, 2013

Em Fim

Se inda quiseres me ferir,
Nem a ferro ou fogo poderás,
A brasa de minh'alma já virara cinza
Cinza que voa quando venta mais
Se quiseres me juntar,
Não sou caco, sou cinza
Agora livre, voo a céu aberto
Sem norte ou ambição
Me lanço,
De topo de árvore ao chão
E longe dos meus outros pedaços de cinza
Sou fragmento
De nada
Migalha de vento
Parte do pouco que restou
De uma alma estragada

Se mesmo assim
Quiseres a mim
E sais a catar vento por vento
E caco com caco
Cinza com cinza
Me cresço em fagulha
Que me toma por dentro
E minh'alma seca e dura
Velho cinzeiro de sentimento
Por um instante, um momento
Brilha no escuro

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