domingo, setembro 21, 2008

Escritos on the rocks sobre confusões com dois cubos de gelo

(História pra boi dormir)

Um gelo na espinha: são os nossos olhos que se buscam ― e se esquivam, ao mesmo tempo. E o sorriso, esse seu sorriso de canto da boca nos cafés da manhã, logo abaixo dos olhos ainda vermelhos do sono curto, logo acima do. Queixo, caído por você eu sei.

Não sei se sabem por aí. Finjo fingindo que não há nada, enquanto você finge ainda melhor do que eu, pois sou péssima mentirosa. Já você é bom nisso ― no quê mais? Suspiro. Fingimos juntos à toa se não há nada a esconder ― e o quê seria tudo? Quase nada, pra mim, é tanta coisa; meia dúzia, então, é mundo inteiro...

Fecha as portas do seu mundo enquanto é tempo, que eu ainda pretendo ficar de fora ― não sei se quero. Nem sei se devo, mas creio que devesse. Meu peito é que é bêbado, doente, cruel, traiçoeiro, e agora teima em apertar-me por dentro sem pena nenhuma.

Dor no peito é coisa pouca. Morria dessa dor, se deixasse. Muito pior é o espasmo. Ou a indiferença. Ruim mesmo é um ponto final mal colocado no texto ― ou seria vírgula? Sei dizer não, queria texto corrido cheio de pressa.

Olhos vendados eu queria, adrenalina pura, estrada comprida cheia de curvas eu queria, asfalto novo permitindo velocidade: gelo na espinha. Carona? Sozinha nessa me dou muito mal ― não tenho brevê de piloto, senso de direção muito menos.

Ouço a música alta da estrada, mas você dança o silêncio.

(...)

Canta pneu ou canto eu essa música que eu canto todo dia pra embalar você. Digo de mansinho, pedacinho em pedacinho, e você presta atenção em cada verso pra parecer que é ainda mais esperto no quesito coração. Salta ligeiro quando chego perto, só não sabe você, pobre sujeito, que certo mesmo é que eu perdi isso que se guarda no peito, e você que ainda o tem jovem é mais vítima que carrasco desta canção.

Mesmo assim, tem dó de mim... E segura meu canto nesse espaço vazio.

2 comentários:

Transitorio disse...

antes que me perguntem: sim, é fictício.
:)
bjs, bjs...

Leo. disse...

vc poderia começar a escrever de modo menos poético.