sábado, julho 14, 2007

em coqueiral


E coqueiral, já que escapuliu escorregadio no post passado.

Nem necessário um berro tão alto pra ser ouvido em coqueiral. Um burburinho qualquer, comentário pequeno, uma história contada ao pé do ouvido pode ultrapassar paredes, num pulo percorrer etapas. Um cochicho feito no menor volume ganha corpo em segundos, e ganha corpos, toma pra si os corpos que aqui existem. Se família em festa, se casais em crise, se amor latente em alto e bom som, não faz diferença, há sempre uma vida em trânsito, passando de mão em mão, de uma boca, outra boca, pés e solas dos sapatos. O lugar é pura vida, um amontoado de muita vida, um coração que lateja com pressa e força.

Como é possível tamanha indiferença no reduto pulsante da vida?
Repare ao seu redor, existem ouvidos e ouvidos e nem todos conseguem encontrar a freqüência em que estão os pedidos de socorro lançados no ar.

Vale um gritinho de nada pra soar no pico do bairro pois até os picos daqui são rasteiros. O lugar cresceu horizontalmente, nada é muito alto. Esticou-se hoo/rii/zon/taaal/men/teeee, deitado em blocos, desse jeito em/e/ta/pas/etapas/e/tapas. Verticalmente modesto. Os coqueiros são os únicos que tocam o céu. Sorte a deles, nós ficamos aqui por baixo esbarrando uns nos outros, incomodados em compartilhar a rotina como criança que não quer dividir o doce.

E rotina sabe-se doce? Nos misturamos. A prostituta, a fofoqueira, gente de boa índole, o cachaceiro da entrada, os senhores que jogam baralho, a criança ainda de pipa e bola em terreno de areia, a dona-de-casa infeliz, o travesti, o marido traído, nos misturamos. Somos todos maridos traídos, prostitutas, senhores do baralho, fofoqueiras, travestis, cachaceiros da entrada, donas-de-casa infelizes, crianças ainda de pipa e bola em terreno de areia. Por aqui somos a mesma coisa, somos gente de boa índole, eu, você que me lê de longe também é, aquele que nem se dá conta de que é igual, somos da mesma coisa, sei que somos e por que então não esqueço essa aflição?


www.fotolog.com/transitorio

11 comentários:

Anónimo disse...

Juro q tentei ler Sofia, mas eu estou com uma putz preguiça de continuar a ler, naum é que o texto esteja cansativo, mas eu sou um preguiçoso....
hehehehhehe

Transitório, por Sofia Giambarba disse...

ai, zé, passou aqui só pra esnobar depois da semaninha de férias no pelourinho, não é?hehe...
voltou com o cansaço característico, mas o meu acarajé que é bom...mm...nem sinal dele!

Leo. disse...

só para dizer q passei mesmo.

Transitório, por Sofia Giambarba disse...

leozílio revolution

Anónimo disse...

Poxa, postei outro dia e não apareceu aqui!

Só passando...

Segundo volto a ser sua companheira de A3 hauahuahahu....

Beijos!

Leo. disse...

que mané revolution, sou conservador, no máximo alguma reforma gradual.
e q isso de intriga ai em moça.
E poxa poe ai uns posts menores mesmo.

Anónimo disse...

*** ALERTA BLOGGER ***

Fotolog pode ser interditado devido falta de publicações (leia-se de amor e carinho por parte de sua dona...).

O blog se auto destruirá assim que completar 10 comentários...

*** ALERTA BLOGGER ***

Anónimo disse...

Ai meu Deus...

Já são 8 comentários...hehehehe

Amiga.. de A3 hoje!!

Que disfarce, viu? Como se tivesse mais alguém da terra de big field... hehe

Besos...

Transitório, por Sofia Giambarba disse...

elaise: amiga, big field? ahhh, vc esqueceu que eu encontrei sua arvore genealógia completa, foi? sei muito sobre a população do buraco da freira...

leo: farei posts de uma linha em sua homenagem, hehe, moço conservador.

beijos beijos, escrevo para vcs não lerem assim que a coisa ficar mais tranquila. como diria o zé, a minha "guerra de reuniões e eventos" segue.

Anónimo disse...

Falando em "aflição", seus textos também me deixam aflito, cara transitório. Bolem em alguma coisa lá dentro e forçam, definitivamente forçam a refletir. Se isso é o que você chamava de "tão intimista que só você entende", estava errada: é tão intimista, que qualquer um entende (de uma maneira bem "íntima").
Oi.

Transitório, por Sofia Giambarba disse...

engraçado que não me parece que todos entendam...mmm...será mania de perseguição?

de qualquer forma, acho que você pegou o espírito da coisa: deixar aflito, bulir, refletir. não necessariamente nessa ordem, não necessariamente no bom sentido. ;)