quinta-feira, junho 29, 2006

Equador-Peru

Em março começo as linhas que acabaram por perder-se na minha rotina, na falta de tempo, talvez na indisposição. Isso sempre acontece e não em poucas vezes me pego abdicando da conclusão para não expor algo que eu não goste. Não gosto disso em mim.

Dessa vez vai incompleto. Muito do que eu sentia na ocasião também já se perdeu na mesma falta de tempo e indisposição que abocanhara as letras que deveriam completar esse post:

Nem desmoronamentos, contratempos ou acidentes, nada é disso é mais difícil do que se desligar das pessoas. Mesmo que eu tenha um desapego intrínseco aos aquarianos (ora frieza, sim), tenho também um sentimento que costumo chamar de espírito de equipe. Não poucas vezes, os dois entram em conflito. O lamento sempre acontece ao despedir-me de alguém que não tive oportunidade (coragem?) de pedir o contato. Por vezes, sinto que estou mais próxima de quem não ousei pedir um email sequer do que daqueles que levo comigo o endereço completo.

A fronteira Equador-Peru foi a mais estressante da viagem. A começar pela migração do Equador, que fica alguns kilômetros antes do ponto final do ônibus, o que nos fez retornar e pagar por um táxi a mais. Tenho a impressão de que lá haviam mais cambistas, taxistas, fretes, todos oferecendo seus serviços já com uma bagagem nossa nas mãos e gritando o nome de uma amiga que, por descuido, deixei escapar na confusão.

Conseguimos um táxi peruano que nos levasse até Tumbes, em troca dos últimos dólares sobreviventes na economia equatoriana. E pra continuar a viagem, uma parada na praça da cidade para buscar uma lan house, transferir dinheiro e sacar. Já em soles, quanto dinheiro fizemos!! Um novo sol vale em torno de um real e meio. Os táxis, e depois descobrimos que em todo o Peru, são bicicletas ou motos nas quais são acopladas cabines. Estão por toda parte, esbarrando, xingando, mantendo o caos que é o território peruano

Sem tempo para banho, seguimos para Lima, mais 20 horas de viagem. A paisagem deste trajeto é, invariavelmente, desértica. Seco e quente, quando não pedras, areia. E eu que imaginava ver llamas por toda parte! Os animais mais próximos eram os poodles coloridos que viajavam conosco, acompanhando sua adestradora boliviana, seu marido chileno e a menina de oito anos contorcionista.

Lima aproximava-se e era impossível esconder a decepção".

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