segunda-feira, março 06, 2006

perto não quer dizer cúmplice

Um email velho guardado pode responder a surpresa de alguém que pensei me conhecer melhor "li seu blog, gostei do texto, não havia lido muito coisa sua". Verdade, pouco interesse, sempre.

"Gosto mais de escrever do que falar. Acho que acabo escrevendo mais email, torpedos, cartas, talvez pela necessidade de resposta. Queria conseguir escrever sem próposito, ao menos não necessariamente. Na verdade consigo, mas não mostro. É pra mim como se leitores existissem seletivamente, cruelmente, nao interessa isso, não responde nada, é para outro, não dá para perder tempo, não vale a pena, não é bom. Olhei o seu blog, o menino azul de todas as cores, gostei. Gosto de como escreve, a poesia latente. Invejo a audácia, a exposição. Um dia. Os dedos tímidos de que falei (ou apenas pensei?) é o medo da ausência de resposta, a pergunta no vazio de um sopro. Gosto de ler e reler e ler os escritos, como se assim fosse permitido mostrar. Emails, cartas, isso pode. Sempre vai haver alguém esperando por elas, e mesmo que não, é pessoal, personalizadíssimo, não existe risco. Do sopro. Eu de cá, sempre espero as respostas, ou as perguntas, uma linhazinha sequer, tênue entre o distante e o próximo"

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