Como é complicado tentar atualizar este blog durante a viagem! Dias a fio dentro de ônibus, quando chegamos em uma cidade o que mais importa é conhecer o lugar, visitar os museus que contam a sua história, viver sua noite. Parar na internet sempre fica para amanhã, em dois dias, quando descer na próxima cidade, se existir uma lan house na rodoviária, quando. Mientras eso, rascunhamos, papel e lápis podem ficar todo o tempo próximos.
Sair da Colômbia não foi fãcil. Nada do que eu fantasiava, amedrontada com a idéia das Farcs e o comentário do amigo boliviano "cuidado, vai virar namorada de guerrilheiro". Somente contratempos comuns em viagens terrestres, acarretando em atrasos que virão a prejudicar o nosso retorno.
Chegamos na fronteira do Equador bem cedinho, seis da manhã, horário que costumo dizer que tem o cheiro de fronteira. Gosto dessa hora. Desse cheiro. Quando todas as pessoas se enfileiram para "estampar" seus passaportes, muitos outros mochileiros, alguns imigrantes, e eu não consigo evitar de pensar sobre que esperam do tempo que vem agora ou que passaram para estar ali. Quero sempre tentar estar nas fronteiras neste mesmo horário com cheiro de fronteira.
O Equador é o país que eu não queria conhecer. Ou melhor, não fazia questão. E não tivemos outro jeito de chegar ao Peru senão passando por ele. A coisa imposta tornou-se fascinante. O país é diferente de tudo que já vi até então e penso que só com fotos posso atestar isso. Beleza, susto e encanto, em uma paisagem que a cada instante revela-se nova. Assim como a paisagem do Equador, o clima da capital, Quito, também oscila com uma rapidez que nos faz tremer e suar. Todo quitenho sabe que deve ter casacos e meias na bolsa, ainda que o sol brilhe ofuscante. Buscamos um hotel indicado pelo Guia Criativo do Viajante, na tentativa de nos esquivarmos de situações como a do hotel em Bogotá. Hotel Ernan, então, no Centro de Quito, onde tomamos nosso primeiro banho quente da viagem.
A capital é dividida em duas partes: o centro histórico e a parte moderna da cidade. O primeiro, com seus muitos museus, praças e riquíssimas igrejas, é o responsável por fazer de Quito a segunda capital do mundo a tornar-se Patrimônio da Humanidade pela ONU. É belíssimo e, sem dúvida nenhuma, no nosso ranking de capitais, Quito, sutilmente, desbancou Bogotá. A Mariscal é a parte moderna, com prédios novos e vida noturna agitada na avenida Amazonas, com restaurantes variados, cyber cafés e é, claro, boates de salsa. E como há turista no Equador para desfrutar suas belezas e gastar em dólares! Terça-feira e a noite está viva, pudemos aproveitar um cyber, com cerveja Pilsener local e música eletrônica. É na Mariscal também que fica o Mercado de Artesanato, produtos confeccionados em Otavalo (mercado indígena) vendidos ali com preços muito mais turísticos. Ainda assim, é possível encontrar um casaco de alpaca por dez dólares e se chorar (lá pechincha é comum) consegue comprar três por 20 dólares.
Conhecer o Equador, ao contrário do que aconteceu nas outras cidades, foi mais fácil porque estávamos amparadas por uma equipe muito bem disposta em nos fazer sentir bem. Os meninos da Junior Achievemente, ONG em que trabalha no Brasil uma amiga que estava conosco, foram excelentes anfitriões. Com eles, conhecemos o Café Mosaico, de onde foi possível apreciar o Palácio de Cristal de uma Quito noturna impetuosa. Também voltamos a Mariscal da salsa que nunca cessa em todos os paises latinos. Por fim, a Igreja da Companhia de Jesus e o teleférico do Parque Vulcano.
Sair do Equador deixou um sensação nostálgica de um breve retorno . Todavia, a estrada sempre vence cansaço ou apego. Voltar para os ônibus é confortador.
Huaquillas é o novo destino, nova fronteira, o mesmo cheiro.
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Sem comentários:
Enviar um comentário