segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Colombia

Como sempre, postando atrasado. É difícil parar para acessar a internet com calma, principalmente quando se está viajando em grupo e tem um destino diferente a cada dia que passa.
Saímos de Caracas no dia 1 de fevereiro, atrasadas, pois marcaram nossa visita ao canal da Telesur para o dia 31. Desistimos dos planos de pegar um vôo até Lima, no Peru, e passamos a contar com a Colombia na nossa rota. O medo, antes inevitável, deu lugar a curiosidade depois de conhecer muitos colombianos que fizeram a viagem até a Venezuela por terra.
Pegamos um onibus até Merida, uma cidade charmosa, de clima universitário, muito semelhante a Ouro Preto brasileira. É lá que está localizado o maior teleférico do mundo, que o tempo curto novamente nao me deixou conhecer. Em compensacao, pude passar na sorveteria recorde em quantidade de sabores pelo Guiness Book, também situada em Mérida, e tive o privilégio de experimentar os sorvetes de feijao, cerveja, vinho, queijo, arroz doce, todos surpreendentemente deliciosos (fujam do de alho!!..hehe). É no caminho de Mèrida até Sao Cristóvan que comecam os atrasos. Uma carreta cai de um dos tantos abismos que é a estrada de acesso e cria uma fila de carros que dura todo o dia - ou cola, como chamam em sólo venezuelano (já na colombia cola tem outro significado...rs) . Para atravessarmos a fronteira da Venezuela com a Colombia, é preciso chegar a Sao Cristovan e pegar um táxi até a cidadezinha de Santo Antonio por apenas 20 mil bolívares (20 reais), por uma distancia de mais de cem quilometros. Chegamos a noite, com a migracao fechada, atraso de um dia. Pela manha seguimos para Cucuta, a primeira cidade da Colombia, já com o preco da comida bem mais amistoso do que na Venezuela. Apesar do peso colombiano ser caro - 1000 bolívares equivalendo a 83 pesos colombianos - o custo de vida nao é tao alto como supunha, principalmente no que diz respeito a alimentacao. Ao contrario da Venezuela, a Colombia tem a sua agricultura bem organizada. Isso é perceptível logo ao chegar no país, pois as montanhas verdes e as plantacoes bem divididas são os adornos da paisagem, e a decoração natural torna-se um consolo para a sequencia de precipícios incessantes. Sem duvida sao as estradas da Colombia as que mais assustam (e isso posso postar com seguranca, pois estou escrevendo do Peru), nao pela guerrilha, mas pelo percurso perigoso e repleto de curvas acentuadas. Eu mesma pensei em passar mal por diversas vezes, mas outros o fizeram na minha frente, precisei dormir para esquecer. Ainda assim, os enjoos valem a pena frente a uma paisagem com todas as suas ovelhas, verdíssimos vales e montanhas, que nao deixa a desejar a nenhum filmeco europeu.

A capital, Bogotá, é belíssima. Fria, a cerca de 2500 metros de altitude; suntuosa, com uma arquitetura clássica. Chegamos em um sábado a tarde e ainda pudemos acompanhar o burburinho da cidade que aos poucos apagava, e eu, deslumbrada, repetia "essa sem dúvida é a capital mais bela, certeza". E todas aquelas calles de sebos, realmente um sonho. Como boas turistas que somos, fomos visitar o maior museu de ouro do mundo, tres andares de riqueza pré-hispanica. Assim como toda metrópole, Bogotá tem seus grandes contrastes, com criancas trabalhando nas ruas, muitos mendigos, drogas, furtos. Nós, por exemplo, tivemos algumas surpresas no hotel do centro da cidade em que passamos a noite. Estavamos em quatro meninas, contando com a argentina que nos acompanhou desde a Venezuela, e todas assustadas por revirarem as nossas mochilas, abrir a porta enquanto dormíamos. Nada roubaram, mas o desgaste emocional foi grande.

O cansaco continuou (aumentou!) na ida de Bogota para Ipiales, quando um desmoronamento de terra bloqueou a unica via e nos obrigou a dormir dentro do onibus na estrada, na fronteira da Colombia com o Equador. A essa altura, guerrilha já era boato, e a preocupacao maior era com um novo desmoronamento ou com as carretas que obrigavam o motorista a estar desperto e desviar o onibus para evitar uma colisao. Passamos o dia seguinte inteiro aguardando as autoridades competentes remover a terra que bloqueava a passagem (nao sei porque, mas quem estava là era o exército anti-explosivos), o que, obviamente, nao aconteceu. O jeito foi colocar as malas nas costas, os velhos nas costas, as criancas nas malas e deslizar em lama por 1,5 km até os onibus que aguardavam do outro lado do tragédia. E como nestes países tudo tem seu preco, desde sacolas plásticas, até copos descartáveis, botas de borracha por apenas um peso colombiano salvavam os sapatos de alguns. Eu fui me aventurar com meus tenis, cheguei descalca e com as roupas cheias de lama. Importante lembrar que foi o dia do aniversário da Juliana, e sem duvida alguma, deste ela nao vai esquecer.

Ainda neste dia, difícil saida da Colombia, dormimos no Terminal de Bus.
Desgastadas...

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