terça-feira, dezembro 19, 2006

novo ano e votos de alguma mudança (qualquer)

Uma bebida, duas, volta noturna na cidade de musicas e caras já visitadas muitas vezes. Quase pouca risada, talvez algum sorriso mais tímido que bonito. Acaba sempre fixando os olhos ao redor e chama isso de sentir o desconhecido. Mais um gole — já não seriam todos familiares? Brinde aos padronizados e à soberba dos que se pensam diferentes.
O ritual incômodo insiste em sentar à mesa nas últimas tentativas de diversão. Últimas, para ser exata, é um número maior que trinta. Quando se dá conta de que a hora são três, a madrugada termina sem que pudesse evitar um desconforto. Estende o rito em reclamações e o arrepender-se de sair de casa. Da próxima não sai, promessa. Na prática, fica em casa até se esquecer do rito e encontrar com ele em novo copo.
Tem falado muito em prática. Brinca dizendo que vai acordar o 2007 alguém mais prático, menos confuso, mais orientado, menos romântico. Gosta dos paradoxos diários que cria para garantir a existência de dúvidas — como mudaria isso? Não quer mudar. A idéia de praticidade perde-se em teoria, como todas as últimas idéias suas. Últimas, para ser exata, podem somar anos.


Quer gritar pra ver se joga fora o tal lirismo. Engole seco pra não deixá-lo escapar.

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