Um dia todo com pernas pra baixo da mesa e braços em noventa graus.
Com esse tempo poderia buscar sinônimos em dicionário, encaixá-los depois em textos nada legíveis como este. Talvez decifraria escritos em um idioma que eu não conheça nenhuma palavra. Poderia, quem sabe, desenhar caras nos dedos dos pés do teo, criar histórias, dar-lhe minhas boas cocégas. Tão bom quanto seria desperdiçar meus minutos ponderando os riscos de invadir os olhares ariscos que, faz algum tempo, percebo produzir encantadora trajetória de tristeza e timidez.
Proveitoso seria virar e revirar as velhas canções que abarrotam o computador. Escutar a mesma música trinta ou quarenta vezes também me parece útil, quando um dos versos, cruelmente íntimo, leva-me a não querer paixão trivial. Vaguear lugares virtuais e não, encontrar um mundo como grande demais para abraçar, sentir a pequenez da existência.
Tanto a fazer, mas tenho ainda as pernas pra baixo da mesa e não consigo tirá-las.
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quarta-feira, março 28, 2007
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