Meus dois olhos são, e sempre foram assim, um para cada mundo em que vivo.
Uso o direito para o mundo real: débil, entrevê o relógio que acorda igual todos os dias, leva-me ao ônibus das minhas manhãs na névoa farta de encontros sem saudação — acompanhou embaçado cada frouxo dia destes vinte e cinco anos.
O vivo olho esquerdo, porém, enxerga o meu mundo fantástico: o faz tão virtuoso, vê tantas cores e com tal ineditismo que a cada dia o tenho mais aberto — fabulo minhas horas marcadas, encontros, saudação, realidade.
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terça-feira, janeiro 30, 2007
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